Wicked, Gregory Maguire

Wicked, Gregory Maguire

Wicked (1995), de Gregory Maguire, é um livro que poderia virar tese de doutorado, de tanta coisa que dá para discutir a respeito. O autor criou um contexto para toda a história de O Maravilhoso Mágico de Oz (de L. Frank Baum, o livro que deu origem ao filme com Judy Garland), mostrando a vida da Bruxa Má do Oeste e porque ela ficou má… Ou, será que não é uma questão de ponto de vista?

“Lembre-se disso: nada está escrito nas estrelas. Nem essas estrelas, nem quaisquer outras. Ninguém controla seu destino.”

Gregory Maguire

O livro Wicked deu origem ao musical de mesmo nome, um estrondoso sucesso, estrelado também por Idina Menzel, que depois virou a Elsa de Frozen. O musical veio para o Brasil e eu tive a alegria de assistir no teatro. Se você viu o musical e gostaria de ler o livro por isso, já saiba que há muitas diferenças. Tanto de enredo quanto do clima da história.

Inclusive, é importante frisar que Wicked NÃO É infantil. Há cenas pesadas, além de contextos e reflexões bastante densos. Por isso, é um livro adulto.

Por seu peso, precisei pausar a leitura por uns dias. Quando retomei demorei um pouco para engatar, pois era um trecho mais morno. Mas em geral, a história tem bom ritmo. O livro discute política, preconceito racial, capacitismo, sexualidade, fanatismo religioso, filosofia, a importância dada a ciência, a origem do mal… É um livro incrível, mas a gente precisa de umas pausas, para digerir.

E sobre o que é Wicked?

Vemos a vida de Elfaba, a Bruxa Má, desde seu nascimento. Por isso, conhecemos seus pais, sua Babá, o lugar onde nasceu. A segunda parte avança para quando ela já é uma jovem indo estudar em Shiz, onde conhece Galinda (depois Glinda, a Bruxa Boa) e diversos outros personagens importantes para a história. Além disso, também já tem sua irmã Nessarose (que será a Bruxa Má do Leste).

Nesse trecho já percebemos que Elfaba é muito focada, rígida, ama leitura e ama ciência, além de tomar partido de causas sociais e políticas. Há muitas críticas no livro sobre a marginalização e opressão do diferente: Elfaba, por ser verde, Nessarose por ser deficiente, os Animais conscientes como humanos sendo relegados a viver como animais comuns, ambos servindo aos humanos… Há também uma ditadura em Oz, o que promove discussões políticas como uma boa distopia.

Nas partes posteriores, Elfaba já está adulta e já luta contra o governo, ou tenta buscar o perdão por alguns de seus atos. Vemos como ela chega no Oeste e como Nessarose se torna a Bruxa do Leste, entendemos o que se passava quando Dorothy chega em Oz e enfim vemos o fim da Bruxa.

Aliás, eu amei o final (últimas frases) do livro. Só lendo para entender.

Ler ou não ler?

A discussão sobre opções políticas e sobre religião é constante e molda toda a filosofia do livro: afinal, o que é o mal e de onde ele vem? Será que Elfaba era realmente má, no fim das contas? Ou será que a sociedade a enxergou assim por ser diferente? Será que foi mal interpretada?

Como é que surge o mal? Será que ele realmente nasce com a pessoa, ou será que a sociedade é quem cria o vilão? Estas questões ficam na cabeça ao terminar o livro. No fim, você não sabe mais dizer quem era mal, quem era bom.

Se você quer uma fantasia distópica filosófica (é como eu descreveria) que questiona o status quo e dá umas boas horas de discussão, indico demais!

Inclusive, queria discutir com alguém. Conte nos comentários se já leu este livro!

Letícia Wilhelm

Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.

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