Pollyanna, Eleanor H. Porter

Pollyanna, Eleanor H. Porter

Pollyanna é uma história conhecida por muitos: a menininha de Eleanor H. Porter virou até adjetivo para pessoas super otimistas! Estou aqui para te dizer que você deve ler Pollyanna. E o mais rápido possível – especialmente por vivermos tempos estressantes e pandêmicos.

A primeira vez que li Pollyanna foi há vinte anos atrás, quando ganhei uma edição adaptada (editora Scipione) de minha madrinha na páscoa. Na época ela precisou procurar muito para encontrar um livro com a história. Eu amei o livro e as ilustrações, que eram fotos de bonecos de massinha. Anos depois, encontrei e li um graded reader (livros adaptados para quem está estudando inglês) de Pollyanna, da coleção de clássicos ilustrados da Heinle Reading Library.

Então a novela do SBT veio ao ar e todas as editoras resolveram relançar a história. Fui a uma Bienal do Livro e encontrei diversas edições. Comprei o Pollyanna e sua continuação, Pollyanna Moça, da Ciranda Cultural. Hoje há uma nova edição e, também, o box dos dois títulos.

Ler Pollyanna é uma viagem para uma mente infantil iluminada. Não por genialidades de inventora, mas por arcos-íris projetados por cristais na janela. Esta é uma referência a uma das cenas mais lindas do livro. Inclusive, a história é cheia de poesia da vida e da ingenuidade da criança, sem ser pedante. Mas quem é Pollyanna?

O enredo e o livro

Pollyanna é uma garotinha que, órfã de mãe, acaba de perder o pai. Ele, um pastor, a ensinou a ver a vida de forma leve e otimista para que ela não sofresse com as dificuldades que passavam. Assim, inventou o Jogo do Contente: sempre procurar o lado bom em todas as situações, e então sentir-se grato por isso. Por exemplo, se você quer uma boneca e recebe muletas, seja grata por não precisar de muletas.

A menina muda-se para o vilarejo da tia Polly, uma mulher que viveu amarga uma boa parte da vida e que só está recebendo a sobrinha por ser seu dever. Pollyanna é tão alegre e animada com a vida que a deixa desconcertada.

Ao mesmo tempo, a menina encanta a todos que conhece no vilarejo – até os mais mal-humorados e amargos. Assim, aos poucos ela conquista jogadores e começa a transformar vidas.

Escrito pela americana Eleanor H. Porter e publicado em 1913, é um clássico da literatura infantil. Porém, ler Pollyanna não é só para crianças. As mensagens no livro são para todas as idades, para todos os momentos. Mas, especialmente, para os mais difíceis.

O sucesso

Porter conseguiu atingir um sucesso tão grande que em 1915 lançou uma sequência, Pollyanna Moça (Pollyanna Grows Up, no original; ou seja, Pollyanna Cresce seria um nome melhor). Essa história se passa um pouco mais de um ano depois do final da primeira e leva a menina para outros lugares para mudar novas vidas.

Muitas adaptações foram feitas, além da novela do SBT. Por exemplo, no Brasil, teve uma novela na antiga Tupi, lá entre 1956 e 1957. Enquanto isso, entre as inúmeras adaptações pelo mundo há um filme de 1920, estrelado por Mary Pickford e uma versão da Disney (1960) estrelando Hayley Mills. Inclusive, Mills ganhou o prêmio do Oscar Juvenil na época.

Já que estamos falando de curiosidades, existiu um jogo de tabuleiro! O Jogo do Contente foi vendido entre 1915 e 1967. Pollyanna também foi adaptada para a Broadway em 1916 (Pollyanna Whittier, The Glad Girl).

Na terra natal de Eleanor H. Porter, Littleton, em New Hampshire, foi criada uma estátua de Pollyanna em sua homenagem. A menina está de braços abertos e sorrindo. Além disso, eles também têm um festival de verão conhecido como “o dia oficial da gratidão de Pollyanna” (tradução livre).

Mas vale a pena ler Pollyanna?

O livro me acompanhou pela vida. A marca que ele deixa, de sempre buscar um motivo para ser grato e uma coisa boa dentro da ruim, é forte. Em um primeiro momento, parece moralista ou delirante fazer algo assim. Mas muitas culturas pregam isso de uma forma “séria” há séculos e Pollyanna apenas traduziu para uma linguagem infantil.

Por exemplo, o conceito de Yin-Yang: o sol e a lua, o masculino e feminino, o espírito e a matéria… Segundo os chineses, o mundo é regido por forças opostas que se complementam; As esferas dentro do símbolo são a representação de que cada força também contém um pouco do seu oposto. Então, por exemplo, alegria e tristeza: dentro da tristeza, há alguma alegria e vice-versa.

“Em tudo há sempre uma coisa boa para se ser grato se você procurar o suficiente para descobrir onde está.” 

Eleanor H. Porter

Mas muito além disso, ler Pollyanna é uma experiência de relaxar e curtir as falações e ideias literais da garotinha. Torcer pelos personagens, para que conquistem suas felicidades. E, mais que tudo, fugir um pouco do mundo exaustivo em que vivemos.

Porter coloca críticas não tão nas entrelinhas da história: a hipocrisia de pessoas abastadas que desejam ajudar apenas por como seu nome vai ficar bem falado, e não pela ajuda em si; as complicações das relações humanas, em que não falamos o que desejamos e criamos obstáculos inexistentes para nos comunicarmos e, pior, sermos felizes; os perigos de fofocar e assumir que suposições são fatos, e não apenas suposições, e por aí vai.

Os personagens são cativantes e têm arcos de evolução, cada um a seu tempo. Pollyanna causa pequenas confusões e também soluciona tudo, às vezes sem querer. E ao fim de sua evolução de heroína, terá que encontrar forças para vencer seu grande obstáculo. De texto leve, linguagem acessível e história emocionante, Eleanor H. Porter te levará em uma jornada em busca da felicidade, e te mostrará que, nos dias mais sombrios, todas as suas ações boas de coração se tornam luz para iluminar seu caminho.

Letícia Wilhelm

Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.

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