O sol amanhece rapidamente enquanto sento-me aqui e tomo uma boa caneca de café. Faz um bom tempo que não o vejo amanhecer assim, fadado a compromissos educacionais. Talvez desde quando terminei a escola. Senti falta de estudar de manhã, ao mesmo tempo que a sensação de querer voltar para minha macia cama continua.
O mais triste é querer aproveitar, já que estou de pé tão cedo, e escrever todo um universo próprio, mas não poder. O que devo escrever não é nada muito prazeroso. Então resolvi que vou transformá-lo: a cada palavra teórica, uma palavra de sonho. A cada parágrafo de trabalho, um de vida. Para cada página de tortura, uma de alívio. 
Escrever é uma tortura: a vontade que vem de não sei onde e te empurra para o papel, entrega uma caneta e observa enquanto você, atônito, rabisca qualquer coisa…
Não é isso. Risca. Recomeça. Ainda não está bom. E a lenga-lenga toda persiste. Até que sai, tudo sai, e olhar para o papel é como olhar para o mais belo espécime de todos, quase um milagre.
Quando o texto é científico a lenga-lenga dura mais, mas o alívio é arrebatador.

Letícia Wilhelm

Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.

0 thoughts on “Da Escrita

  1. É bem assim que eu me sinto cada vez que vou fazer um trabalho da faculdade. Achei inspirador o modo como você transformou esse sentimento por escrever algo cientifico em um texto fantástico.

    um grande abraço,
    Iago Marcell

  2. É exatamente assim que nos sentimos quando a inspiração está bem ali do lado gritando "olha para mim, me escreve aí", mas você tem que escrever sobre algo totalmente desmotivador. Como sempre, seus textos encantando Lets!

    Um beijo e um abraço.
    Raay ;}

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