Consulta Com o Amor

Pensei nisso hoje no almoço, como uma cena de filme meio anos 40, e achei legal escrever e colocar aqui. Divirta-se. (editado 11/03/12 – imagem meramente ilustrativa, não imagine a cena exatamente como está na imagem)

– Estou com um problema, Doutor! – a moça disse se sentando na cadeira de madeira, de frente para o médico que se sentava do outro lado da mesa, também de madeira. Ela olhou para o homem grisalho de sorriso simpático. Ele tinha olhos acinzentados e usava óculos. E, apesar de parecer bem arrumado e estar sorrindo, podia-se perceber que estava cansado.
– Diga, minha jovem, o que a aflige? – ele olhou para a jovem na sua frente, que tinha os cabelos longos presos em uma trança e usava um sobretudo que cobria a maior parte de sua roupa, só deixando a mostra os sapatos e a calça. Ela parecia pálida e suava frio, seus olhos castanhos buscavam consolo e, de vez em quando, ela assoava o nariz afinado com um lenço.
– Bom, Doutor, acho que estou doente! – disse trêmula.
– Mas isso já notei, minha cara.
– O senhor então acha mesmo que estou doente! – ela exasperou-se.
– Fique calma, por favor. Não posso lhe diagnosticar sem examiná-la, e como ainda não a examinei, não posso dizer que já sei o que você tem. Mas se veio até aqui, você provavelmente deve estar sentindo alguma coisa.
– Bom, Doutor, tudo começou muito de repente. – o médico levantou-se e começou a examinar garganta, olhos, escutar seu coração e outras coisas que médicos sempre fazem – eu simplesmente comecei a sentir algo estranho dentro de mim. E o pior é que sempre acontecia do nada!
– Conte-me o que sentia.
– Meu coração se acelerava e batia como se não coubesse mais em mim. E minhas mãos começavam a suar, e eu me sentia ficando vermelha, cada vez mais vermelha. E parecia que eu tinha perdido a voz, simplesmente não conseguia falar! E depois eu sentia um frio na espinha e algo como se todos os meus órgãos despencassem dentro de mim. E eu fiquei tonta, até um pouco abobada com tudo isso.
– Ora, minha cara, acho que já sei o que você tem!
– Mesmo? O senhor sabe? – ela perguntou esperançosa, olhando para o médico que estivera prestando tanta atenção enquanto ela falava. Ele sorriu.
– Você está apaixonada!
A moça ficou boquiaberta por alguns segundos e então finalmente respondeu:
– Meu Deus, que maravilha, estou apaixonada, é isso mesmo! – ela abraçou o médico, que muito curioso, perguntou:
– Mas então, quem é o felizardo?
A moça apenas sorriu, pois aquele era um segredo que nem o médico poderia diagnosticar.

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Letícia Wilhelm

Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.

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