Espreguiçava-se preguiçosamente sobre sua maré de dinheiro e levantava-se, toda manhã, pronta para negar qualquer coisa que lhe exigisse o desperdício de uma gota sequer de seu oceano imperial.
Alimentava-se de riqueza. Vestia-se de capital. Não comprava nem mesmo status ou objetos que garantissem a aquisição dessa tal posição social. Negava esmola. Não compra para si, por que comprar para os outros?
Se perdia em suas posses e se reencontrava. Certa vez, Avareza precisou atender a porta e, ao negar mais uma vez um alimento, foi fadada a ser, eternamente, um pecado capital. “Maldita Consciência”, praguejava.
Texto escrito nas reuniões da Oficina Criativa do colégio.
Letícia Wilhelm
Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.

Eu nem preciso dizer nada não é? Mentira!
Preciso sim pois é merecido!
"Uma gota se quer de seu oceano imperial" começaste já no topo, a comparação foi perfeita!
Adorei o textículo. A personificação da 'avareza' foi perfeita. Como tudo o que tu escreves.
"Certa vez, Avareza precisou atender a porta e, ao negar mais uma vez um alimento, foi fadada a ser, eternamente, um pecado capital. "Maldita Consciência", praguejava." – Não tem o quê explicar, é a lei da sobrevivência. Aqui se faz, aqui se paga. Contudo a explicação dada foi linda.