E então, enquanto a chuva despencava pela rua, menos fresca do que se esperava, mas mais forte do que desejado, ele passou.
Um cão grande, preto e marrom, talvez, caminhou descontraído (apesar de tímido) até o meio-fio. Usava uma capa de chuva transparente. Que fofo, um cão com capa de chuva, não? Mas ele está sozinho? Como um cão com capa de chuva é sozinho?
Ele olha para trás. Surge, no campo de visão, um homem; empurra um carrinho de supermercado com suas coisas, usa um casaco esfarrapado, é dono de uma aparência sofrida. Junto dele, mais outro cão marrom, grande, com capa de chuva.
Os três atravessam, amigos unidos, embaixo de chuva e vento, a ruazinha em direção a sabe-se lá onde. Levam com eles olhares, vindos de pessoas bem vestidas abrigando-se sob guarda-chuvas e toldos, que dizem o quão bela é a visão daquele trio e o quanto há para se aprender com uma capa de chuva.
De repente, começa a chover dos olhos, e não só das nuvens.
Letícia Wilhelm
Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.
