Areia Fervente

Foi uma tarde ardente. A areia branca se revoltava ao toque da sola de seus pés. O calor subia com os grãos e descia do azul do céu. Gotas grossas de suor escorriam pelos seus corpos.

Subiram na rampa e foram até o pequeno expositor, mais para o centro da barraca. Eles logo começaram a fuçar. Ela foi mais delicada. Olhou os títulos, procurando pelo mais atraente. Devia chamá-la, devia adivinhar seu nome.

Era um volume velho, com a figura de um homem em fundo azul. Letras amarelas mostravam o título, “A Noite da Vingança”. Ele sussurrou um chamado.

A garota esticou a mão lentamente e tocou a capa surrada. Um choque não passou pelo seu corpo, tampouco o cenário ao seu redor se dissolveu. Na verdade, tudo o que ela sentiu foi certeza.

Pegou o livro da estante, assinou o caderno de presença e enfrentou o sol ardente de verão novamente. Mas agora não havia mais sede, não havia suor, não havia cansaço. Ela tinha um novo companheiro, pronto para levá-la para outro lugar bem longe dali, onde não havia um oceano azul e areia branca fervente.

Letícia Wilhelm

Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.

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