Estava frio. A noite caía sobre a cadeia de montanhas e a leve brisa fria não movimentava mais a água do rio. Havia dois céus com inúmeros tons de azul e laranja.
Uma boa noite para descansar.
Quatro pares de pés andavam até o montinho que estavam montando, colocando mais madeira. Sentaram-se em pedras que estavam por ali e acenderam o fogo.
O calor os aqueceu e a brisa fria que antes gelava seus rostos era agora só um sussuro. Picadas de mosquitos e pequenos cortes eram apenas isso e nada mais. Feridas que cedo ou tarde cicatrizariam.
As enormes montanhas escureciam rapidamente enquanto o grupo brincava de atirar pedrinhas no lago. Libertação.
Melhor no lago do que uns nos outros.
– É engraçado – disse um deles – como o tempo passa rápido. Começamos a subir a trilha no morro e era dia claro. Agora está quase noite.
– Depois da noite sempre vem um dia claro. Vai amanhecer antes que note.
Curioso é pensar que isso nunca tem fim, esse claro para escuro e vice-versa.
Já era noite e a única luz era a fogueira. Estava nublado. Não havia lua, não havia estrelas.
Olhavam as labaredas que os aqueciam, enquanto comiam. Pensavam consigo mesmos. Precisavam recuperar o tempo perdido com nada. Precisavam respirar o verde, ver o azul, sentir o vermelho, provar do amarelo. Precisavam sentir a dor da caminhada juntos, precisavam curtir a vista juntos. No final, descansariam juntos.
Antes parecia tão impossível. Tantos troncos, tantos buracos. Mas se deram as mãos para ultrapassar tudo aquilo juntos.
E ali estavam. Gastando mais tempo em sua meditação interna. Eles haviam chego e, realmente era maravilhoso. Mas agora estava escuro, mais uma vez.
A subida parecia ter sido melhor.
Então resolveram que era hora de descansar, pois o dia seguinte viria logo.
E quando acordaram viram um sol nascente dourado, com montanhas que brilhavam e nem pareciam mais uma muralha que os separava de algo. Eram apenas mais uma coisa nova a se observar.
Olharam-se, sorrindo. Estava na hora de mais um desafio.
– Vamos nessa – disseram, se apoiando uns nos outros.
Era um dia maravilhoso para uma caminhada.

Letícia Wilhelm
Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.


Deu vontade de participar deste quadro de sonho!