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| By Aliane Soares |
Lá estava ela com seu moletom um número maior, calça jeans e tênis azul. A roupa de todo dia. O cabelo, preso à um rabo, completava o “look”. Não era como se sentia mais bonita, mas algo em seu andar tinha uma inclinação para a confiança. Estava descontraída e sorrindo consigo mesma.
Havia acabado de despejar com um balde tudo o que havia em seu coração para um par de ouvidos atentos. Depois saiu pisando fortemente leve pelas calçadas sujas, ultrapassando pessoas e mais pessoas em seus afazeres.
Parou e comprou um sorvete. Pegou a obra de arte e deu uma lambida discreta. O creme derreteu junto com o chocolate em sua boca e tudo o que pudesse restar que a impedisse de caminhar com o sol sobre sua cabeça derreteu junto.
Arriscou outra lambida e dessa vez sujou o nariz. Riu e limpou o pequeno estrago. Desceu as escadas à sua frente rapidamente e continuou seu caminho. Depois do sorvete veio a casquinha, a mais crocante que ela poderia querer. Jogou o guardanapo, amassado como uma bolinha, no cesto de lixo.
Aquele sorvete parecia um prêmio olímpico ou algo assim. O maior troféu da humanidade. Ela sentiu que aquele era o melhor sorvete do mundo e ficou honrada em poder experimentar a sua existência.
Letícia Wilhelm
Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.


O texto dá apetite de ler, tal qual o sorvete (bem descrito e bem fotografado)!