O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman

O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman

Em O Livro do Cemitério, Neil Gaiman nos leva pela infância de um garoto completamente incomum: Nobody “Bod” Owens é um garotinho que cresce em um cemitério, tendo fantasmas como pais adotivos e um vampiro como guardião. A história começa com um assassinato e o único sobrevivente, um bebê, indo parar no antigo cemitério e os habitantes do lugar decidindo cuidar dele. Então, acompanhamos a vida do garoto no cemitério, o vemos crescer e viver diversas aventuras.

O livro é dividido de forma peculiar, pois a ideia de Gaiman era fazer cada capítulo como um conto. Por isso, não leia pensando “vou só acabar mais este capítulo” achando que serão umas poucas páginas. Alguns são bem mais longos, porque tem uma história inteira ali. A cada conto Bod cresce mais dois anos e vemos mais uma aventura completa dele. Eles se ligam até o ápice da história: com eventos de tirar o fôlego.

O Livro do Cemitério foi vencedor dos prêmios Carnegie e Newbery (ambos para as melhores obras de literatura infantil, no Reino Unido e Estados Unidos, respectivamente), além do prêmio Hugo na World Science Fiction Convetion de melhor romance.

Um órfão num cemitério: será que é bom?

Você pode pensar que é uma história muito sombria ou triste, mas é Neil Gaiman: ele pega assuntos um tanto obscuros e os transforma em grandes fantasias, com uma poesia única dentro de suas histórias. Há um capítulo emocionante, de beleza sublime: quase um conto de Natal em outra época do ano. As cenas deste capítulo são muito lindas, fiquei completamente encantada, tanto pelos acontecimentos e diálogos, quanto pelas descrições e o tema.

As aventuras de Bod vão de engraçadas a eletrizantes. Aos poucos a trama que amarra os contos se desenrola e você não consegue largar o livro. A linguagem é muito bem trabalhada: cada fantasma fala como em sua época e Bod acaba tendo um vocabulário peculiar. É classificado como um livro infantil, e não deixa de ser. Ele não é sombrio como Coraline, por exemplo. Mas ele é perfeito para adultos também, por diversos aspectos de sua temática. O Livro do Cemitério tem momentos muito tocantes e, no fim, é uma história sobre pais e filhos, sobre a infância e seu fim e, claro, sobre a dualidade da vida e morte.

A origem da ideia
Capa de O Livro do Cemitério, ilustrado por Chris Riddell

Neil Gaiman demorou muitos anos para conseguir escrever a história. Ele teve a ideia em 1985, ao ver seu filho pequeno andando alegremente de triciclo em um cemitério. Na época ele já sabia do formato que queria usar, mas acreditava não ser suficientemente bom escritor. Anos depois, tentou de novo e não conseguiu. Só nos anos 2000 é que Gaiman finalmente escreveu o livro, publicando-o em 2008. O autor diz que se inspirou em Kipling e seu Livro da Selva (o livro que inspirou o desenho Mogli, da Disney).

O livro tem diversas edições, e algumas especiais: o original é ilustrado por Dave McKean, mas há uma versão ilustrada por Chris Riddell. Há também uma adaptação por P. Craig Russell para os quadrinhos, ilustrada por diversos artistas, além de uma edição de capa dourada, comemorativa dos prêmios recebidos (a minha edição é essa, em inglês).

Salva o pin pra não perder a indicação!

Fantasia, suspense, thriller, magia… Como toda boa história do autor, o Livro do Cemitério é daquelas histórias atemporais, que se tornará um clássico para todas as idades. Uma pausa para refletir e viajar na beleza e aventura, no melhor do grande talento contador de histórias que é Neil Gaiman.

Onde encontrar: Amazon | Livraria Cultura | Americanas | Submarino

Letícia Wilhelm

Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.

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