Mães da literatura que se tornaram ícones

Mães da literatura que se tornaram ícones

Existem, no vasto universo literário mundial, um número alto de personagens femininas maravilhosas. Talvez não tantas quanto gostaríamos, mas estamos no caminho. E, dentre elas, existem diversas mães da literatura que precisam ser lembradas como representações do poder e força e das diversas facetas da maternidade. Sejam boas ou de moral duvidosa, que tal relembrarmos algumas mães saídas dos livros?

As mães de Harry Potter
Em Harry Potter exitem diversas figuras maternas marcantes

Quem leu Harry Potter sabe que não dá para falar apenas de uma personagem. A história é recheada de mães fortes: a começar, a própria Lily Potter, que se sacrifica em nome do filho. Porém, as que mais vemos em ação e cujas ações podem trazer diversos debates para a roda são Molly Weasley e Narcisa Malfoy. Ao longo da história nós vemos Molly, que já tem todos os seus filhos para cuidar e sem muito dinheiro, praticamente adotando Harry e Hermione. De coração grande e bondoso, Molly cuida de seus filhos – de sangue ou consideração – com garra, protegendo-os a todo custo. Entretanto, ela não foge daquele esteriótipo que conhecemos de mãe, porque é como elas são: dá bronca, manda usar o casaco, enfia comida goela abaixo, cuida.

Narcisa, por sua vez, é polêmica. Por ter escolhido o lado sombrio, nós tendemos a julgar suas escolhas (como colocar seu próprio filho em risco), mas dá pra ver por que ela fazia tudo aquilo: suas atitudes eram, em fim, uma tentativa forte de proteger sua família. E no final, todos nós sabemos a escolha que ela fez e que foi crucial para o plot andar, não é mesmo? Não vou contar, pode ter gente que não leu por aqui! Mas, se você é uma dessas pessoas, vai ler, criatura!

Sra. March de Mulherzinhas

Começando o livro, já tendo assistido ao filme, você já vê que mulher a Sra. March é. Cuidou de suas quatro filhas sozinhas enquanto o marido foi lutar na guerra. É devotada, bondosa, pronta para ajudar mesmo quando ela mesma não tem muito. Quando saí do cinema, com vontade de ler o livro, meu primeiro pensamento foi como mais pessoas deveriam ser como esta mulher. O mundo definitivamente seria um lugar melhor.

As mães de As Crônicas de Gelo e Fogo

Não li os livros, só vi a série, mas quem leu no meu círculo de amigos me contou eles quase inteiros então posso falar com certa propriedade. Qual mãe você escolhe, a loba ou a leoa? Stark ou Lannister? Não são só elas as mulheres fortes nesta história (houve um tempo em que diria que a história era das mulheres), mas são as mães mais marcantes.

Game of thrones tem muitas mães icônicas

Catelyn Stark cria e protege seus filhos com devoção, vive por eles. E Cersei Lannister? Exatamente o mesmo. O legal nesta história é que ninguém é completamente bom ou completamente mau e todas as escolhas tem uma base fundamental. Cersei é uma personagem que me fascina: enquanto ela é impiedosa e tem sede de poder, ela vive pelos seus filhos a ponto de se deixar levar a ruína por eles, queimando tudo ao redor, se preciso for. Catelyn não é diferente. Eu adoro personagens bem construídas desta forma, do tipo que fazem péssimas escolhas, porém as mais realistas possíveis, a ponto de você entender plenamente por que foram feitas.

Penélope Penny Dunbar de O Construtor de Pontes

Uma das melhores coisas neste livro é ver a história de Penny. Dentre as mães da literatura, acho que esta é uma das com as histórias mais tocantes: Penny é imigrante, porém nunca havia planejado sair de seu país. Seu pai arranjou a viagem e somente no meio do caminho ela entendeu o que estava acontecendo. Na Austrália, aprendeu o idioma a ponto de tornar-se uma professora muito querida, inclusive. Pianista, incentivou os filhos a tocarem e amarem música mesmo sem eles quererem ou terem talento. E lutou muito mais lutas, as quais exigiram muito dela. Era, enfim, a cola da família e passou este papel ao Clay, o personagem principal desta história, que você precisa ler.

Marilla Cuthbert de Anne de Green Gables e sequências
Marilla é a figura materna em Anne de Green Gables

Dentre as mães da literatura eu precisava colocar a mãe adotiva maravilhosa que foi Marilla. Em Anne, ela e o irmão, Matthew, queriam adotar um menino para ajudar na fazenda. Mas lhes enviam Anne por engano e eles acabam se apaixonando pela graciosidade da menina: imaginativa, falante, de espírito alegre. Marilla é, como se espera de uma mãe de sua época, severa. Porém, isso não a impede de demonstrar, ao seu jeito, todo o amor que sente pela garota. Então entendemos que às vezes não demonstrar emoções não significa que elas não estão lá: Marilla é especialista nisso.

Capitu de Dom Casmurro

Claro que não dá para ficar sem citar a personagem mais famosa, controversa e dona do questionamento mais profundo e gerador de debates da literatura brasileira. Capitu é a pura poesia em Dom Casmurro, inicialmente uma menina cheia de vida e beleza, por quem Bentinho se apaixona. Anos depois, se torna o foco da obsessão de Bentinho, que se questiona se foi ou não traído por ela. Aquele momento icônico, em que ele olha o filho deles e vê a criança parecida com o melhor amigo. Então, começam os debates.

Dona Lola do Éramos Seis
Éramos Seis conta com uma das mais marcantes mães da literatura brasileira

A história virou novela, que acabou há pouquíssimo tempo, logo quando começou o isolamento social no Brasil. Glória Pires deu um show no papel de Dona Lola, com cenas extremamente fortes e comoventes. Mãe de quatro filhos, se dedica a manter a família unida mesmo com todas as adversidades. O enredo mostra a vida da família e, aos poucos, todos indo embora e Dona Lola se vendo, enfim, com seu ninho vazio. No livro, seu final não é muito feliz: fica em um asilo, sozinha.

Neste dia das mães a distância, não esqueçam de retribuir suas figuras maternas toda a dedicação delas. Que outras mães da literatura você acha que merecem ser lembradas, para representar a força das mães na data delas? Conte nos comentários!

Letícia Wilhelm

Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.

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