Eu, autobiografia de Elton John

Eu, autobiografia de Elton John
Eu, Elton John (autobiografia)

Quem me conhece sabe que eu certamente correria para ler a autobiografia de Elton John. Em “Eu”, Elton nos descreve sua vida, desde a infância até o momento em que estava escrevendo o livro: já após iniciar sua última turnê, tendo um filme sobre sua vida e dois filhos adoráveis. Porém, ler este livro é muito mais do que saber sobre a história de vida inspiradora deste gênio da música. A história da música, de outras celebridades e do mundo em geral, está em cada página desse livro.

A vida do artista

Em sua autobiografia, Elton John descreve sua infância e as dificuldades com os pais. Ambos tinham temperamentos difíceis e causavam diversas ansiedades no garoto. Para ser mais específica do que o autor, cavalheiro como é, os pais eram tóxicos e abusivos. Elton cresceu em um lugar em que não podia se expressar e tinha que ser o mais quieto possível, sempre com medo de fazer algo que despertasse a fúria dos pais. Além disso, o “casal” tinha grandes discussões. A avó, em contrapartida, era um doce.

Elton descreve a descoberta da música, tanto de suas habilidades quanto seus gostos musicais. Ele presenciou o surgimento do rock ‘n’ roll e, como todo jovem da época, abraçou o movimento para desgosto dos pais. É aí que começa o passeio pela história da música. Dali em diante, conforme sua carreira avança e ele conhece grandes e pequenos nomes, acompanhamos os eventos que ocorreram nesse cenário. Para aqueles que não conhecem muito sobre o músico, é fascinante ver como Elton desempenhou um papel fundamental, inovando no estilo e sendo “o primeiro artista a” realizar diversos feitos.

Elton John e Bernie Taupin, uma das maiores duplas de compositores do mundo da música

Entendemos o processo criativo de Elton John e Bernie Taupin, uma das duplas mais brilhantes da história da música, e como suas composições se tornam grandes sucessos, tocados por décadas. Vemos a amizade dos dois e, além disso, a relação de Elton com outros grandes nomes. Destaque para John Lennon, Princesa Diana e Gianni Versace, grandes amigos do músico e que deixaram este mundo cedo demais. Certamente, Elton nos conta como foi o momento da perda dessas pessoas tão queridas.

Elton, a fênix
Elton John ao piano, com uma de suas fantasias

Um homem que emplacou tantos sucessos, com uma presença de palco incrível (e surreal, graças às fantasias), além de anos de história na música, precisa ser grande. E, apesar de baixinho, Elton está entre os maiores seres humanos que já vimos. Longe de se glorificar em sua autobiografia – muito pelo contrário. Nas páginas vemos sua decadência nas drogas e bebida, o início da bulimia, o temperamento difícil. Em momento algum ele miniminiza seus defeitos e erros, mas ao acompanharmos os eventos de sua vida vemos que Elton sempre foi o homem caridoso, gentil e preocupado com o próximo que vemos hoje. Em meio à loucura do mundo pop dos anos setenta ou oitenta, Elton buscava e dava amor.

Há uma história, pouco antes da época em que decidiu ir para a reabilitação, de um amigo a quem ajudou muito, mas que na verdade o ajudou muito mais. É uma história extremamente tocante e o estopim para a criação de sua fundação para a AIDS. Após a reabilitação, tornou-se a pessoa que sempre foi: amável, com muito mais controle sobre o temperamento, e encontrou o amor.

Taron Egerton em Rocketman, a cinebiografia de Elton John

A biografia de Elton, contada pelo próprio como em uma conversa, é sobre a história da música e das celebridades, é sobre arte e vida, paternidade; é sobre atingir o fundo do poço, afundado em drogas e problemas mal resolvidos, e se reerguer como fênix. Talvez por isso, no filme Rocketman, Taron Egerton tenha usado uma fantasia cor de fogo. É sobre perda e perder-se, sobre encontrar-se. É sobre amar, sobretudo: o que faz, os que estão perto de si, a vida. E lutar por tudo que se ama. A autobiografia de Elton John nos faz entender que o mais importante, no fim, é amar a si, não importa quem somos, e viver sendo quem nascemos para ser.

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Letícia Wilhelm

Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.

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