Eternamente grata

Eternamente grata

O que é uma rosa? Se tivesse outro nome, ainda teria a mesma essência e perfume. Assim é o professor: dentre todos os chamamentos, segue com a mesma missão.

Ser professor é trabalhar todos os dias da semana, inclusive sábado e domingo. É corrigir lição ou prova na carona de um carro ou na praça de alimentação do shopping, na sala de espera ou em pleno feriado. É preparar atividades e aulas divertidas e atraentes para os alunos, às vezes até com prêmio, e ver o rosto alegre de quem está mesmo se divertindo (ou continuar vendo um rosto múmia e já começar a elaborar outra estratégia).

É ouvir as perguntas e comentários e desculpas mais esfarrapadas e cômicas que uma mente humana pode criar e se segurar para não rir na cara da criatura. Ou rir. Depende.

É criar jargões e manias para ser sua identidade em sala, para manter a sua energia (ou fingir que tem alguma) e não deixar os alunos dormirem.

É querer bater a cabeça na parede (às vezes tanto que acaba batendo “sem querer” – estou de olho, subconsciente) por frustração quando alguma coisa não foi bem como você quis (como o aluninho que entrega a lição pela metade na cara de pau – estou de olho, aluninhos).

É ter umas cinco playlists diferentes para acompanhar o clima da correção de lição e manter você vivo. É se juntar com os colegas professores para todos se entupirem de café e lanches não saudáveis enquanto vistam a pilha de papeis da semana.

É ter um estojo extra com coisas para emprestar para os alunos.

É montar apresentações, lembranças, decorações, organizar trabalhos, festinhas e gincanas. É querer morrer de exaustão mas não caber em si ao ver nos olhos do outro alegria e realização.

É saber falar a mesma coisa de mil formas para mil públicos diferentes. É ler e estudar e ouvir e interpretar e fazer isso tudo de novo. É aprender constantemente.

É ser a pessoa que sempre admirou outros professores e, de gaiato ou não, entrou na profissão; e, depois de um tempo, viu que o que seus mestres lhe disseram é real: goste do que faça, não faça o que gosta.

É ver um abraço e se emocionar. É ouvir um grito de alegria e rir. É ver um desafio e dar aquele empurrãozinho para superarem-no. É ver mudança, evolução. É fazer rir. É tanta coisa!

Educar, pensei, é muito difícil. Na verdade, é muito mais do que pensei.

Ser professor é eternizar-se em conhecimento compartilhado com todos os que cruzaram sua vida.

Todos os dias lembro de meus mestres que me fizeram ser quem sou, como humana e professora. Eternos em mim. Então lembro que sou professora. E se um dia alguém usar o que aprendeu comigo e lembrar de mim desta forma? Neste dia, sentirei que cumpri o que devia. Neste dia, serei eterna.

Feliz dia do professor aos colegas de profissão, sendo eles meus mestres ou amigos, ou os dois. Que todos tenhamos toda a força e inspiração para continuar nossa missão diária. Muito obrigada por tudo.

Letícia Wilhelm

Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.

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