O Construtor de Pontes, Markus Zusak

O Construtor de Pontes, Markus Zusak

O Construtor de Pontes é um livro de Markus Zusak, lançado no Brasil pela Intrínseca e com tradução de Stephanie Fernandes e Thaís Paiva, de 528 páginas da prosa poética de Markus. Você provavelmente conhece o autor australiano pela sua obra best seller: A Menina que Roubava Livros. Se já leu este livro, sabe que a narrativa de Markus é muito característica e gostosa. Ler um livro do autor é como mergulhar nos olhos do narrador-personagem e viver suas emoções e experiências. Ao mesmo tempo, você parece conversar com a história. E, o mais belo de tudo: a poesia.

"Quero lhe contar sobre nosso irmão. Tudo aconteceu com ele. Todos nós mudamos por causa dele."

Markus Zusak escreveu outros livros além desses: Eu Sou o Mensageiro e a trilogia de O Azarão. Todos têm essa linguagem poética, usando metáforas e estruturas de parágrafos e frases muito particulares. Porém, ele mantem um estilo informal, de fácil leitura, o que provavelmente o levou a best-seller. Suas histórias nunca foram muito lineares, pois ele é mestre em nos contar por alto o que está por vir (e, mesmo assim, quando o evento chega o impacto é fortíssimo).

Em O Construtor de Pontes, livro que Markus levou anos escrevendo (eu acompanhei o processo, como boa fã), conhecemos a história dos irmãos Dunbar: Clay, o personagem principal, é alucinado por correr descalço, um garoto de poucas palavras e grandes sorrisos. É basicamente o grande portador da história. Porém, a narrativa fica por conta de Matthew, o irmão mais velho, que nos conta a vida da família fundindo passado e presente em um vai e vem eletrizante. Há mais três irmãos, muitos pets e os pais: Penny, a imigrante, e Michael Dunbar, o artista, são uma história a parte, além de serem parte da história dos garotos.

A história começa com os cinco irmãos morando com seus animais de estimação e recebendo uma visita inesperada: seu pai, que os havia abandonado anos antes, precisa que o ajudem a construir uma ponte. Clay será o irmão traidor que irá ajudar o pai neste enorme projeto carregado de lembranças e sentimentos enterrados nas marés do passado. Desta forma, enquanto vemos aos poucos a ponte se formar, vemos o passado sendo desenhado até o ponto em que começamos a história.

Capa de O Construtor de Pontes

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Capa de A Menina que Roubava Livros

A menina que roubava livros na Amazon

Capa de Eu sou o Mensageiro

Eu sou o mensageiro na Amazon

Foi um livro que li ao longo de alguns meses, pois foi meu retorno ao hábito da leitura. Porém, cada vez que eu sentava para ler, não desgrudava os olhos das páginas até a exaustão. Markus tem esta habilidade de nos deixar vidrados e nos sentirmos parte da vida de seus personagens. É impossível não querer saber onde os Dunbar vão parar e de onde vieram. É impossível também não amar, principalmente, a mula Aquiles e sua mania de invadir a cozinha. Não é um livro de se acabar de chorar (ao menos para mim) como A Menina que Roubava Livros, mas é emocionante também. O final tem um tom diferente do best seller, e delicioso.

Além disso, o trabalho do autor com delicadezas é primoroso: ele cria pequenos detalhes, por exemplo uma máquina de escrever ou um pregador, e os transforma em símbolos grandiosos. Inclusive, estas sutilezas são tão bem colocadas que tornam a história muito mais crível. Acabamos na dúvida se tudo aquilo não seria uma história real.

Existem centenas de pensamentos contidos em cada palavra proferida, isso quando chegam a ser proferidas. – Markus Zusak, O Construtor de Pontes

Assim, é lendo Markus Zusak que você entende que a vida é um amontoado de momentos, que se tornam lembranças, registrados e guardados nos menores detalhes de nossas vidas. Então, vemos uma família marcada com dor, morte, abandono, mas também com risos, música, arte e brigas de moleque. O Construtor de Pontes é como um épico que nos leva em uma viagem por todos estes momentos e nos mostra as mudanças e lembranças que fazem de nós exatamente quem somos.

Personagens carismáticos, linguagem inventiva, enredo de mistério; assim temos mais um grande livro de Markus Suzak, o qual acaba rápido demais para matarmos as saudades. Ficamos no aguardo, ansiosos por mais de suas histórias arrebatadoras!

Onde encontrar o livro:

Livraria CulturaAmericanasAmazonLivraria da travessa

Letícia Wilhelm

Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.

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