As Agentes Secretas de Paris, Pam Jenoff

As Agentes Secretas de Paris, Pam Jenoff

As Agentes Secretas de Paris, de Pam Jenoff, é um romance histórico de investigação, que se passa na época da Segunda Guerra Mundial. Tudo começa quando Grace encontra uma mala em uma estação de trem com fotos de mulheres de uniforme: pareciam ter algo a ver com a guerra que havia terminado há pouco. Ela então resolve entender quem são as mulheres e encontrar a dona da mala.

Enquanto isso, acompanhamos Eleanor e Marie nos tempos da guerra: a chefe e a agente de uma operação britânica para ajudar a resistência francesa contra os alemães, pouco antes da invasão do Dia D. O legal é que este grupo da operação era só de mulheres, operadoras de rádio, treinadas para ajudarem em campo.

Com esta sinopse, fiquei animadíssima para ler a história das mulheres que estiveram em campo na luta contra o nazismo durante a guerra. Eu sabia – e a autora deixa claro nas notas da autora ao fim do livro – que as histórias eram de ficção e, como Jenoff diz, ela apenas se inspirou no fato histórico para desenvolver seu enredo, imaginando como teriam sido as vidas daquelas mulheres.

Pois bem. Expectativas altas, comecei a ler As Agentes Secretas de Paris.

O desenrolar da história

O enredo tem ritmo. Você sente vontade de continuar lendo e ver onde as coisas vão chegar. Porém, ao mesmo tempo, demora um pouco para você entender que tem alguma coisa a mais acontecendo ali: como você vê a história do ponto de vista das três, você não entende qual vai ser o mistério de fato.

A partir do momento em que você percebe que tem alguma coisa errada ali, você vai lendo cada vez mais rápido. Eu diria que entre dos capítulos 25 e 30 eu dei uma surtada: foram muito bem escritos, no sentido de criação da tensão no leitor. Jenoff soube fazer uso da técnica da montanha russa de emoção na narrativa e o climax foi, definitivamente, intenso.

O final, por outro lado, foi sem sal. Ao meu ver a quantidade de diálogos (especialmente no último capítulo) contando o que ocorreu funcionaria bem em um filme. Em um livro, ficou muito “contação” e menos “ação”.

Os problemas

Algumas coisas me incomodaram no livro. A primeira, foi o estilo de escrita da autora; o tempo todo ela repete informações ditas há poucas páginas, e também faz comentários desnecessários. Por exemplo, ela descreve formas de pensar, agir e sentir que não precisavam ser descritas porque caberia ao leitor entender a intenção dos personagens ali.

Um exemplo do porquê esse problema acontece é quando o autor usa advérbios em excesso, ou conta que fulano gosta de flores ao invés de mostrar ele apreciando flores. Ou seja, Pam Jenoff pareceu um bom exemplo de “conte, não mostre” (o oposto do que a infinita maioria de escritores consagrados fala para os iniciantes fazerem). Assim, dá a impressão de que ela é amadora, por essa descrição desnecessária de fatos (tanto as repetições quanto, por exemplo, colocar “impulsivamente” em uma situação que a personagem claramente agiu por impulso) e pelo tanto que ela conta ao invés de mostrar.

Por isso mesmo que entre os capítulos 25 e 30 eu senti o ápice do livro: não só pela boa construção de tensão mas porque foram capítulos de alta ação, não houve muito espaço para estes deslizes. Há um capítulo de Marie em específico que é de tirar o fôlego: mergulhamos de fato no contexto de uma agente na Segunda Guerra.

Questões do enredo e personagens

Alguns pontos do enredo me decepcionaram um pouco. Primeiro, alguns romances forçados. Não afetaram em nada a história e aconteceram numa situação muito Disney: de um dia para o outro os personagens já se amam. A história aconteceria da mesma forma se não houvesse o romance em si.

Os dois melhores personagens são coadjuvantes e sinto muito por não terem aparecido mais: Josie, a rainha do mundo, super habilidosa além de ter uma história super legal, e Frankie, o cara muito gente boa que aparece pouco demais. Ele poderia ter um papel muito maior na história de Grace. Sobre as principais, eu gosto de Eleanor e Marie, mas achei Grace sem muito tempero. Mas mesmo gostando das duas, acho que elas todas poderiam ter sido mais bem desenvolvidas – provavelmente o estilo da autora não fez a conexão com elas ser tão grande.

Vale a leitura?

Resenha de As Agentes Secretas de Paris
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Mas apesar das negativas, As Agentes Secretas de Paris é bom de ler. A única questão é não criar grandes expectativas: será uma história de entretenimento, sem muito aprofundamento, e rápida. Terminei a leitura com um gosto de decepção porque comecei a ler esperando muita coisa. Mas é um livro que é gostoso para ler despretensiosamente. Há quem tenha achado a leitura mais profunda do que eu achei, é uma questão de gostos, não é?

Como narrativa em livro (que precisa de linguagem, explorar personagens e enredo, boas descrições), falta algo.  Mas o ritmo é muito bom, tão bom que acredito que se Pam Jenoff tivesse escrito um roteiro de um filme, ele seria um campeão de audiência. Definitivamente, se o romance for adaptado para as telas, assistirei com gosto.

Assim, se você busca um bom entretenimento para um fim de semana ou feriado, com a tensão da espionagem e da guerra misturadas, As Agentes Secretas de Paris é uma opção para você.

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Letícia Wilhelm

Escritora, formada em Letras e professora de língua inglesa. Gostaria de rodar o mundo e, mais ainda, criar um próprio para que outros possam visita-lo. Curte observar as pequenas coisas da vida e às vezes contá-las em histórias. Gosta de café e chocolate, de ver a chuva caindo e das tardes laranjas de outono.

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